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segunda-feira, 3 de junho de 2013

ESQUEMAS SUJOS DA COPA DE 2014

Repórter investigativo há mais de 30 anos, o jornalista inglês Andrew Jennings gastou anos desvendando como a Federação Internacional de Futebol (Fifa) funciona. No livro “Jogo Sujo, o mundo secreto da Fifa: compra de votos e escândalo de ingressos”, publicado no Brasil pela editora “Panda”, ele apresenta o que apurou. Trata-se de uma história de arrepiar sobre os bastidores da maior organização esportiva do mundo. O trabalho, resultado da análise de pilhas de documentos e incontáveis entrevistas, é um alerta meticuloso e detalhado sobre como a Copa em 2014 no Brasil pode ser utilizada para corrupção e tramas sujas. Nesta entrevista exclusiva, ele defende que, mais do que celebrar o evento, a população deve estar atenta aos desvios de recursos públicos para cobrar as autoridades.
É preciso jornalismo investigativo na Copa? 
O futebol pertence ao povo e os recursos que o senhor Ricardo Teixeira (presidente da Confederação Brasileira de Futebol e do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014)  recebe são impostos pagos pelas pessoas. Não faz sentido a copa ficar na mão de uma organização privada. Além disso, o senhor Teixeira não inventou o Pelé, o Ronaldo. Esses atletas vêm do povo e o povo tem direito de saber o que acontece. Toda sociedade é mais saudável se houver transparência.
Como podemos ter mais transparência na copa?
Podemos pedir ao senhor Teixeira que coloque todos os documentos sobre a Copa do Mundo na rede mundial de computadores. É só escanear tudo, todos os documentos, todos os salários, todos os bônus, todos os contratos. Aliás, como esses cavalheiros viajam? Na parte de trás dos aviões como nós? Eles nem sabem que existe esta parte no avião. Na verdade, Ricardo Teixeira nem sabe como é viajar desta maneira porque só viaja em jatos privados. Nós temos que trazê-los de volta para terra.
Há jornalistas que se comprometem com acordos comerciais e não fazem perguntas. Que pensa disso?
Quem é um jornalista, tem um bom coração e se preocupa em entender como a sociedade funciona, precisa fazer perguntas. É preciso levantar a mão e questionar: “Desculpe, eu pago impostos, porque estamos construindo este estádio novo?“
Em 2006, Teixeira dizia que a copa seria bancada pela iniciativa privada. Até agora, 98% dos investimentos previstos são verbas públicas. Como vê isso? 
Eles mentem. Pessoas como Ricardo Teixeira tentam fazer os brasileiros de trouxas. Ele está consciente da paixão do povo pelos jogos, consciente de que existe preocupação do Brasil em que o evento não seja um desastre, então diz desculpem, mas vocês vão ter que pagar taxas. Ele nunca vai pedir para as pessoas pensarem sobre isso, mas é preciso pensar. O Brasil não precisa da Copa do Mundo para ser reconhecido. Nas últimas décadas o País tem sido visto cada vez mais como independente e importante e não é pelo o que Romário ou Ronaldo fizeram.
Como vê Teixeira como coordenador da copa?
Se ele for mesmo o responsável pela copa sabemos os desastres que virão. O dinheiro desaparecerá e não teremos os estádios prontos, os aeroportos, os transportes, a infraestrutura. Eles ficarão com o dinheiro, mas não com a responsabilidade. E, no fim, em vez de dizerem que o Brasil é maravilhoso, os visitantes farão críticas e dirão que os brasileiros são preguiçosos. 


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